Procissão de Ramos: o que é e qual o significado desta procissão para nós?

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procissão de ramos: entrada do Senhor em Jerusalém

A procissão de ramos é uma das formas de se comemorar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

"Diversos testemunhos revelam que Jerusalém já celebrava, no século IV, a entrada triunfal de Jesus na cidade. Uma peregrina chamada Egéria, que percorreu a Terra Santa em 380, dá testemunho disso em um manuscrito encontrado em 1884." (h)

Naquela época esta entrada de Jesus na Cidade Santa era celebrada pela procissão e, a partir de jerusalém, esse costume se estendeu para todo o mundo. 

Já em Roma, a procissão de ramos começou a ser realizada como parte da liturgia romana no século XI. (i)

E até hoje temos esta comemoração alegre que é a procissão de ramos onde saudamos o Senhor que chega a Jerusalém para cumprir a vontade do Pai e nos libertar da escravidão do Pecado. 

E é sobre esta

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QUAL O SIGNIFICADO DA PROCISSÃO DE RAMOS?

Toda procissão é uma forma de oração pública a Deus, de manifestação de fé da Igreja. E esta manifestação de fé neste Domingo de Ramos é realizada para comemorarmos a entrada de Jesus em Jerusalém.

Com isso, a procissão de ramos nos recorda que somos apenas peregrinos neste mundo onde tudo passa tão rápido. 

Na procissão de ramos nos sentimos, ou pelo menos deveríamos nos sentir, como que realizando o caminho que nos leva à vida eterna com Deus, pois também não fomos feitos para este mundo. Somos do Céu, somos de Deus!

No momento em que aconteceu, as pessoas, além de agitarem seus ramos, também estendiam seus mantos no chão para que o Rei pudesse passar sobre eles.

OS PEREGRINOS NÃO COMPREENDERAM O SENHOR

Como já foi comentado em outro artigo, haviam dois grupos de pessoas naquele dia em que o Senhor entrou em Jerusalém: os peregrinos que O seguiam e O aclamavam como Messias e os moradores de Jerusalém que não o conheciam e pediram sua crucificação.

"Não sabemos o que de concreto imaginavam os peregrinos" (n), talvez não tivessem entendido a missão do Senhor, o que Ele realmente queria transmitir a eles, que tipo de rei era Ele.

Este povo passava por uma situação de opressão política e social, por isso seria até compreensível que pensassem em um Messias que viesse libertá-los deste sofrimento.

Ao mesmo tempo, obviamente, Jesus sabia que o que Ele veio oferecer aos filhos de Israel não era o que todo aquele povo esperava d'Ele. O Senhor sabia que eles O trairiam sem a menor piedade.

No entanto, era preciso deixar claro aos homens que o libertador político que viam em Jesus não existia. Era preciso mostrar que o Messias estava ali para dar a eles muito mais do que queriam e esperavam conseguir. E tudo isso seguindo um caminho totalmente diverso daquele que o povo esperava.

E para evidenciar tudo isso, o Senhor inicia seu percurso rumo à cruz entrando em Jerusalém montado em um jumentinho, símbolo da humildade, da pequenez.

UM REI HUMILDE QUE VEM TRAZER A PAZ

E vem Jesus sem exército e sem a suntuosidade e imponência dos ricos e dos imperadores da época.

Aquela entrada, embora festiva e digna de Rei, tinha um caráter simples e humilde, mostrando à multidão que Cristo não procurava as glórias desse mundo.

Jesus não vem numa mula, que era o animal predileto da realeza de Israel, nem em um cavalo que era sinal de guerra (quando os reis vinham a cavalo isso significava que eles estavam declarando guerra aos seus adversários). Mas Cristo vem num jumento, animal usado pelas pessoas simples. "Ele é um rei que vem em paz e traz a paz!". (6)

Jesus é um rei pacífico, humilde, manso. Ele vai ao encontro daquilo que o Pai quer para Ele em favor de Seus filhos muito amados.

O Senhor queria mostrar àquele povo que a Sua verdadeira luta não era contra o imperador, contra os tiranos deste mundo, mas contra algo que nos impediria de estar com Ele em seu verdadeiro Reino, algo muito pior e devastador: o Pecado.

Jesus veio nos trazer uma liberdade que nenhum outro homem poderia nos proporcionar: Cristo veio nos libertar do Pecado e o venceu na cruz. 

Aqueles peregrinos, ao descobrirem que o Senhor não era nem de longe o Messias que Eles esperavam, podem ter se decepcionado. Afinal muitos deles possivelmente se juntaram aos moradores de Jerusalém para pedir a Pilatos Sua morte.

E NÓS? TAMBÉM NOS DECEPCIONAMOS COM JESUS?

Com muito mais frequência vemos hoje em dia as pessoas buscando cada vez mais o sucesso profissional, melhorar a aparência, ter carro do ano, uma casa mais funcional e com eletrodomésticos que nos trazem praticidade, dentre outras coisas. E isso não é uma coisa ruim. Mais tudo isso em excesso, aí sim, tem-se um grande problema.

Em geral, com tanta correria e preocupações, o tempo dedicado ao Senhor parece diminuir cada vez mais. As coisas deste mundo nos parecem mais atraentes do que as coisas de Deus.

A ambição, o orgulho, a presunção não correspondem ao tipo de comportamento que Jesus nos demonstra e nos pede para seguir.

Será que, assim como aqueles peregrinos, ficamos desapontados com o caminho que o Senhor nos propõe? O caminho da simplicidade, da humildade, do sofrimento, da cruz?

Será que nos desapontamos quando o Senhor nos mostra, nesta entrada em Jerusalém, para sermos mais simples ao invés de sair por aí ostentando bens deste mundo e que passam tão rápido?

Será que nos desaponta sabermos que seguir Jesus não nos trará uma vida fácil?

"Estamos em uma busca de Deus ou em busca de soluções rápidas para as dificuldades da vida?" (k) 

Muitos daqueles que aclamaram o Senhor como seu Rei, fugiram ou assistiram sua morte. E nós? Faremos o mesmo? 

UM REI QUE SE REVELA PELA HUMILDADE

Seguir o Cristo não é uma coisa fácil. Aceitá-Lo dessa forma humilde e simples significa que temos que nos rebaixar a tal ponto que parece impossível. E se dependermos de nossas próprias forças, realmente é.

O fato do Senhor ter se comportado com tamanha humildade deve nos fazer voltarmos para nós mesmos e nos avaliar. É preciso que façamos um bom exame de consciência nesse Domingo de Ramos, primeiramente nesta procissão de ramos.

"Nós, que não somos nada, mostramo-nos amiúde vaidosos e soberbos, procuramos sobressair, chamar a atenção; procuramos que os outros nos admirem e nos louvem" (l). E esse é justamente o comportamento contrário que Jesus nos pede.

"Nosso Senhor estima a alegria de um coração moço, o passo simples, a voz sem falsete, os olhos limpos, o ouvido atento à Sua palavra de carinho. Assim reina na alma". (l)

"Deixemo-Lo tomar posse dos nossos pensamentos, palavras e ações! Eliminemos sobretudo o amor-próprio, que é o maior obstáculo ao reinado de Cristo! Sejamos humildes, sem nos apropriarmos de méritos que não são nossos. Imaginais o ridículo que teria sido o burrico, se se tivesse apropriado das aclamações e aplausos que as pessoas dirigiam ao Mestre?" (l)

O QUE O SENHOR ESPERA DE VOCÊ NESSA PROCISSÃO DE RAMOS?

Jesus quer nessa procissão de ramos que você olhe pra Ele e veja aquele Rei Messias anunciado pelos profetas que veio aos israelitas mas que também veio pra você, por você.

Ele quer que você pense n'Ele não como um libertador que entra na sua vida para te livrar do sofrimento e dos problemas.

Ele não veio dar a você uma vida fácil e cheias de glórias. Ele quer um compromisso sério, um reconhecimento e uma aceitação verdadeira e fiel, um amor puro.

"O entusiasmo das pessoas não costuma ser duradouro" (l). Por isso devemos tomar muito cuidado com as decisões que tomamos. As aparências não nos levam a lugar algum. É preciso sempre ter em mente o ensinamento de Jesus: "o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão." (São Mateus 24, 35)

"E nós deixar-nos-emos levar por um entusiasmo passageiro? Se nestes dias notamos o esvoaçar divino da graça de Deus, que passa perto, demos-lhe guarida nas nossas almas. Estendamos no chão, mais do que palmeiras ou ramos de oliveira, os nossos corações. Sejamos humildes. Sejamos mortificados. Sejamos compreensivos com os outros. É esta a homenagem que Jesus espera de nós." (l)

O Senhor "vem, como sempre, revestido de simplicidade e humildade e pede que a Igreja O imite." (m)

AGIMOS COMO AQUELES JUDEUS

Muitas vezes participamos das celebrações em nossas igrejas, ouvimos tudo com atenção, entendemos, por vezes até meditamos as mensagens litúrgicas, mas não colocamos em prática, não vivenciamos o que aprendemos.

Muitos daqueles israelitas, depois que entraram em Jerusalém mudaram de opinião e trataram o Senhor como se não O tivessem conhecido, como se não tivessem visto seus milagres, ouvido suas palavras. 

Essa mudança de opinião repentina, o famoso 'ir pela cabeça dos outros' não é atitude de quem ama. No fundo agimos com uma versatilidade e ingratidão impressionante, assim como eles agiram.

"Proclamaram com a mais solene recepção o reconhecimento da honra que se deveria ter ao Divino Salvador e, pouco depois, O crucificaram com um ódio tal que a muitos chega a parecer inexplicável." (g)

SERÁ QUE ISTO ESTÁ DISTANTE DO QUE FAZEMOS?

Penso que não, infelizmente.

Quantas vezes já participamos desta procissão de ramos, aclamamos o Senhor, e depois vamos para nossas casas e não lembramos mais d'Ele? O abandonamos por causa do nosso egoísmo e de nossos interesses mundanos.

Muitas vezes em nossas vidas nos entusiasmamos, louvamos ao Senhor, nos enchemos de boas intenções e até fazemos promessas a Jesus sobre nossas vontade de mudar de vida.

Mais no primeiro obstáculo que aparece desistimos como se aquilo que prometemos antes não valesse nada. Viramos as costas para Jesus por causa do nosso egoísmo, pela falta de amor a Ele e ao próximo. 

E dessa forma alimentamos ainda mais o sofrimento do Senhor. É como se a cada momento desse nós cravássemos mais um espinho em sua cabeça.

"Ainda hoje, no coração de quantos fiéis, tem Nosso Senhor que suportar essas alternativas, essas mudanças que balançam entre adorações e vitupérios, entre virtude e pecado? E estas atitudes contraditórias e defectivas não se passam apenas no interior da alma de cada homem, de modo discreto, no fundo das consciências: Em quantos países essas alternações se passam e Nosso Senhor tem sido sucessivamente glorificado e ultrajado, em curtos intervalos de tempo?" (g)

NÓS TAMBÉM EXIGIMOS COISAS DO SENHOR!

Muito provavelmente, à primeira vista, quando vemos muitos se voltarem contra o Senhor, nos esquecemos de que fazemos o mesmo.

"Nós também somos esse povo, que grita exigindo justiça e condições mais dignas e, logo em seguida, preferimos colocar um ladrão no poder, porque ele nos trará vantagens. Louvamos a Deus na Igreja, mas falamos mal Dele pelas costas, quando criticamos o nosso irmão. Queremos que Jesus esteja em nossa vida, mas O afastamos quando Ele exige algo como frequência à missa e aos sacramentos. Queremos viver a nossa fé à nossa maneira, sem compromisso com nada. Daí, quando se pede alguma vivência de fé, a Igreja exige demais, afasta as pessoas, inventa moda. A nós, falta-nos uma profunda conversão." (g)

É MOMENTO DE CONVIDAR O SENHOR A FAZER PARTE DE NOSSA VIDA

Quando Jesus entrou em Jerusalém, ficou naquela cidade o dia todo falando às pessoas e fazendo curas. Quando chegou a noite, não houve ninguém que o convidasse a descansar em sua casa. Assim, foi obrigado a voltar a Betânia.

"Santa Teresa considerando certa vez num Domingo de Ramos, naquela descortesia para com o seu divino Esposo, convidou-O humildemente a vir hospedar-se no seu pobre peito. Agradou-se o Senhor tanto do convite de sua esposa predileta, que, ao receber a sagrada Hóstia, afigurava-se à Santa que tinha a boca cheia de sangue vivo e ao mesmo tempo gozava uma doçura paradisíaca." (p)

Imitando Santa Tereza, também nós podemos neste Domingo de Ramos convidar o Senhor para entrar em nossa casa, em nossa vida, em nosso coração.

E mais importante que isto, você pode convidar Cristo, "especialmente quando te aproximas da santa comunhão" (p), para que tua alma seja clara e reluzente, seja um lugar digno, para melhor hospedá-Lo. 

E VOCÊ ACEITA SER O BURRINHO DE JESUS?

Imagine só: Jesus Cristo é Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Senhor do Universo e de nossas vidas. Se não fosse por Deus você não estaria vivo e muito menos lendo este artigo.

Ele, que é o único e verdadeiro Deus, Rei do universo, contentou-se com um burrinho por trono.

Agora pense em nós, pense em você particularmente. Você se contentaria com um burrinho? E pense ainda: você aceita ser aquele burrinho? Em ser o trono de Cristo? "Cada cristão pode e deve converter-se em trono de Cristo" (l)

A Santíssima Trindade habita em nosso espírito e "se a condição para que Jesus reinasse na minha alma, na tua alma, fosse contar previamente em nós com um lugar perfeito, teríamos motivo para desesperar" (l). No entanto "Jesus contenta-se com um pobre animal" (l) por trono.

A ALEGRIA DE O ACOMPANHAR E DE CHEGAR COM ELE À CASA DO PAI

A entrada do Senhor em Jerusalém, que celebramos na procissão de ramos, faz transbordar em nós uma grande alegria. É a alegria do Salvador! A alegria da nossa Salvação!

E apesar de tanta humilhação e sofrimento que o nosso Redentor passou e que vamos recordar e viver com Ele durante toda essa Semana Santa, sabemos que esta é um boa notícia.

E diante disso, não podemos ser pessoas tristes, um cristão não pode nunca ser triste! Não somente neste dia com toda esta recordação, mas em todos os dias de nossa vida.

"A nossa alegria não nasce do fato de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus. De sabermos que, com Ele, nunca estamos sozinhos, mesmo nos momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida é confrontado com problemas e obstáculos que parecem insuperáveis… e há tantos!" (Papa Francisco, Referência [9])

CONCLUSÃO

Participar da procissão de ramos é reconhecer o Senhor como o nosso Rei Messias, o nosso Salvador. Reconhecemos neste momento que Ele não é um rei que procura as glórias desse mundo e nos dispomos a segui-Lo na pobreza e na humildade.

Ao participar da procissão de ramos nos leva a seguir o Senhor na sua Paixão para que, com Ele, cheguemos à ressurreição. Ele é o Rei que tem por coroa espinhos e por trono a cruz.

"11 Eis uma verdade absolutamente certa: Se morrermos com ele, com ele viveremos. 12 Se soubermos perseverar, com ele reinaremos." (II Timóteo 2, 11-12)

Nós reconhecemos nesta procissão de ramos que assim como o nosso Salvador, viemos para servir e dar a vida pelos outros, numa tentativa de imitação de Cristo.

Que possamos então abrir o nosso coração a Ele. Para que nos guie em todos os momentos pois sabemos sobretudo que Ele nos acompanha, nos carrega no colo, tantas vezes ... "aqui está a nossa alegria, a esperança que devemos levar a este nosso mundo. Levemos a todos a alegria da fé!" (Papa Francisco. Referência [9])

"A alegria de O acompanhar, de O sentir perto de nós, presente em nós e no nosso meio, como um amigo, como um irmão, mas também como rei, isto é, como farol luminoso da nossa vida." (Papa Francisco, Referência [9])

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E CRÉDITO DE IMAGENS

(a) Missal Romano. Tradução portuguesa da 2ª edição típica para o Brasil realizada e publicada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil com acréscimos aprovados pela Sé Apostólica. 18ª reimpressão, 2014. Editora Paulus. Pág. 220, n. 1.

(b) Padre José Amaral de Almeida Prado, 2010. Homilias dominicais. Missa do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, pág. 69.

(c) Padre José Amaral de Almeida Prado, 2010. Homilias dominicais. Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, pág. 414.

(d) Padre José Amaral de Almeida Prado, 2010. Homilias dominicais. Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, pág. 416.

(n) Ratzinger, Joseph. Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém até a ressurreição (Locais do Kindle 159-161). Editora Planeta. Edição do Kindle. Capítulo 1 - Entrada em Jerusalém e purificação do templo.

(q) Crédito da imagem de topo: Google imagens.

(r) Fonte das passagens bíblicas: Bíblia Católica.